Aconchego...


Olhando-te sem medo
Agora posso ver
Minha vida, os meus planos
Em Ti preciso esquecer
Tua voz me traz encanto
O doce espírito me inspira
A te louvar em cantos
Ó doce Maria
Pequena sou, em Ti me refaço
Quando me acolhes em Teu regaço
Teu ser humana me refaz
Na Divindade me compraz
Para sempre, para sempre
Aponta-me o Céu, rebaixa-me o véu
Adormeço, em Teu seio descanso
Enquanto
Da vida possa esquecer e reviver
Tua vida, Tua graça
Teu amor que não passa.

Lucas 1, 39 - 45

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Poesia escrita por Carla Lacerda, ela faz parte da Missão Forlateza e mantém o blog http://borboleando.blogspot.com/

Compassos


Só perde tempo quem não sabe significá-lo.
Nada pode ser válido para aquele que não desce à essência
na descoberta do valor de cada coisa!
O tempo ajuda quem dele sabe fazer bom uso,
aliando-se ao tempo de hoje para construir o tempo do amanhã
e não se prendendo ao tempo de ontem!
O tempo é sempre novo, atual e dinâmico.
O tempo é vida que se renova a cada dia,
e que se dissolve em cada segundo,
dando lugar a um novo tempo, com novas cores e formas.
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Poesia por Vall Senna, Consagrada Comunidade de Vida em Tatuí.

Pintando o caminho

Nunca imaginei que pintar fosse tão reconstrutor.
Pintar parede mesmo, de casa, do meu quarto.
A cada pincelada recordava-me de minha vida, meus erros, minhas dores.
Ao passo em que a cada pincelada perdia-me em afazer tão braçal e desprovido de atrativos mais abastados, à primeira vista.
Tentava alcançar algo inalcançavel ao primeiro olhar.
Olhar desprovido de coragem, olhar medroso
Tentava pintar mais alto, pintar tudo, nenhum espaço poderia demonstrar o velho, a tinta de cor que não agrada mais. Tornou-se velha, ultrapassada, clamava por renovação.
Assim era minh'alma, sensibilizada pelo toque do criador.
Desgastada pelo tempo, destruída pela vaidade da exposição.
Anseava pelo toque, pela transformação do seu criador.
Não, não eram retoques, eram pinturas reais que ela clamava. Os retoques já não resolviam mais, ela precisava morrer, para só então nascer.
Estava suja, acostumada com seu jeito velho de ostentar seus costumes.
Restava desgostosa, com suas cores desfalecidas de cansaço, com a mesmice de estar sempre bem, não precisar de ninguém, ao menos aparentemente.
E foi com esse olhar, que enxerga a linha tênue do ser e do estar, do amor e desamor, do quente e do frio, contudo morno jamais. Com esse olhar, que enxerga turvo o caminho que deve ser seguido e clama aos passos para que siga ao horizonte belo, que se forma na paisagem a frente. Com esse olhar, que chama o peito a perceber que a beleza da vida é construída de pequenos atos, à primeira vista torpes, como a pintura de uma parede...

"Muito longe estou de por em prática o que compreendo. Entretanto, só o desejo de consegui-lo já me tranquiliza."
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Poesia escrita por Carla Lacerda, ela faz parte da Missão Forlateza e mantém o blog http://carlinhalacerda.blogspot.com/
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Capítulos



Fragmento 1

A vida em duas faces:
ora alegria,
ora tristeza.
Duelo –realidade em mim..
As perguntas sem respostas,
os olhares sem brilho,
as palavras sem sentido...
O desejo que não se consome,
a promessa que não se cumpre,
o ser que não se expressa...
O grito que de tanto calar virou silêncio profundo,
a voz que não mais quer sair,
a garganta seca de sentimentos, de palavras, de emoções...
O dueto que há na alma.
O bem que quer acontecer.
O mal que às vezes vence!
Oh, humanidade fragmentada que traz em si tantos pedidos de superação!
Por que tantas divisões?
Por que tantas rupturas?
Não poderia ser mais fácil?
Hoje tudo chora dentro de mim...

Fragmento 2

No silêncio do amor procuro uma resposta...
Tudo se cala.
Tudo espera.
Tudo pressupõe.
O tempo passa e nada acontece...
Mas, ainda estou aqui!
A esperar...
A esperar...

Fragmento 3

Choro...
Grito...
Olho...
Silencio...
E, tudo se refaz!

Poesia por Vall Senna, Consagrada Comunidade de Vida em Tatuí.

Minhas palavras, meus atos.

"Respondeu-lhe, pois, Simão Pedro: Senhor, para quem iremos nós? Tu tens as palavras da vida eterna." João 6,68.

Minhas palavras, meus atos.
A primeira tem o poder de definir, o segundo, aprisionar.
Se meus atos não condizem com minhas palavras, confusão formada em mim, por mim.
De que adianta palavras bonitas a uns e a outros choros e palavras duras?
Aprendi meu Senhor que devo ser dicípula primeiro entre os meus para, então, ser mais.
Aprendi que de nada vale a mim querer ser grande, quando devo almejar sempre a pequenez.
Aprendi que de nada vale saber se você não sabe como bem executar todo o saber.
Sabedoria vai muito além de deter todas as informações necessárias acerca de algo, muito além.
Uma pessoa sábia não precisa de estudo, basta que tenha um coração.
As pessoas mais sábias que já conheci não estudaram nas melhores faculdades, não possuem uma gorda conta bancária, ou o emprego dos sonhos. Tampouco estampavam a capa da revista "Sucesso do saber", "Caras", "Super interessante", etc.
Delas aprendi que minha vivência me define, não o que falo sobre ela. Aprendi que falando o que sinto consigo superá-lo e me localizar em meio a todo o sofrimento que me aflige. Aprendi que primeiro tenho que me resolver com minhas consequências para, só então, auxiliar alguém a resolver as suas. Aprendi que se aprende mais reconhecendo os próprios erros do que buscando desculpas para eles. Aprendi que não devo exigir que alguém seja melhor, eu tenho que fazer isso por nós dois. Aprendi que não posso exigir que entendam o que eu penso se eu não falo. Aprendi que mesmo eu não conseguindo transpor as barreiras que existem em mim e ir ao encontro do outro para dizer tudo o que sinto, um simples olhar ou um gesto podem demolir todo um sentimento de discórdia, melhor que uma grande conversa de "aponta dedos". Aprendi que calar não significa gostar e que impaciência gera violência, e quem mais sofre é o coração. Aprendi que mesmo sabendo de tudo isso um dia eu vou esquecer, e peço a Deus misericórdia por minha "cara-de-pau" de usá-la ao retornar e pedir com pranto nos olhos perdão por minhas atitudes eivadas de incoerência e amor...
Enfim, aprendi a ter amor por mim, apesar do que eu sou. Aprendi a me deixar amar, apesar do que eu sou. Aprendi que o que eu sou é consequência na vida do outro, a ponto de poder muda-la ou destrui-la. Aprendi que sou luz que resplandece da luz de Deus, não apesar dela.
Minhas palavras, meus atos.
As palavras tem o poder de libertar. Os atos, de salvar.



Artigo escrito por Carlinha Lacerda. Ela faz parte do Vocacional da Missão Fortaleza e mantém o Blog http://carlinhalacerda.blogspot.com/