Minhas palavras, meus atos.

"Respondeu-lhe, pois, Simão Pedro: Senhor, para quem iremos nós? Tu tens as palavras da vida eterna." João 6,68.

Minhas palavras, meus atos.
A primeira tem o poder de definir, o segundo, aprisionar.
Se meus atos não condizem com minhas palavras, confusão formada em mim, por mim.
De que adianta palavras bonitas a uns e a outros choros e palavras duras?
Aprendi meu Senhor que devo ser dicípula primeiro entre os meus para, então, ser mais.
Aprendi que de nada vale a mim querer ser grande, quando devo almejar sempre a pequenez.
Aprendi que de nada vale saber se você não sabe como bem executar todo o saber.
Sabedoria vai muito além de deter todas as informações necessárias acerca de algo, muito além.
Uma pessoa sábia não precisa de estudo, basta que tenha um coração.
As pessoas mais sábias que já conheci não estudaram nas melhores faculdades, não possuem uma gorda conta bancária, ou o emprego dos sonhos. Tampouco estampavam a capa da revista "Sucesso do saber", "Caras", "Super interessante", etc.
Delas aprendi que minha vivência me define, não o que falo sobre ela. Aprendi que falando o que sinto consigo superá-lo e me localizar em meio a todo o sofrimento que me aflige. Aprendi que primeiro tenho que me resolver com minhas consequências para, só então, auxiliar alguém a resolver as suas. Aprendi que se aprende mais reconhecendo os próprios erros do que buscando desculpas para eles. Aprendi que não devo exigir que alguém seja melhor, eu tenho que fazer isso por nós dois. Aprendi que não posso exigir que entendam o que eu penso se eu não falo. Aprendi que mesmo eu não conseguindo transpor as barreiras que existem em mim e ir ao encontro do outro para dizer tudo o que sinto, um simples olhar ou um gesto podem demolir todo um sentimento de discórdia, melhor que uma grande conversa de "aponta dedos". Aprendi que calar não significa gostar e que impaciência gera violência, e quem mais sofre é o coração. Aprendi que mesmo sabendo de tudo isso um dia eu vou esquecer, e peço a Deus misericórdia por minha "cara-de-pau" de usá-la ao retornar e pedir com pranto nos olhos perdão por minhas atitudes eivadas de incoerência e amor...
Enfim, aprendi a ter amor por mim, apesar do que eu sou. Aprendi a me deixar amar, apesar do que eu sou. Aprendi que o que eu sou é consequência na vida do outro, a ponto de poder muda-la ou destrui-la. Aprendi que sou luz que resplandece da luz de Deus, não apesar dela.
Minhas palavras, meus atos.
As palavras tem o poder de libertar. Os atos, de salvar.



Artigo escrito por Carlinha Lacerda. Ela faz parte do Vocacional da Missão Fortaleza e mantém o Blog http://carlinhalacerda.blogspot.com/

Folha Seca

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Arte feita por Alessandra (Noviça) e Junior (Postulante). Eles fazem parte da missão São Paulo e criaram esta arte durante o retiro para catequistas, pregado pela Comunidade Recado, neste final de semana (28/02 - 01/03/09) em São Roque.